Em 16 meses, a Câmara votou 291 vezes. Discordou de si mesma uma única vez.
2026-08-13 · Diretório Municipal do Partido Novo · Rio do Campo/SC
Em pouco mais de um ano, a Câmara de Vereadores de Rio do Campo levou 291 itens a votação. Aprovou 289 deles por unanimidade — todo mundo de acordo, sem um voto contra. Isso dá 99,31% dos itens votados (e dá pra conferir, votação por votação, no site). Quase tudo o que entrou em plenário para ser decidido, saiu de lá sem racha.
E a exceção? Foi uma só. Em todo esse período, a única matéria que dividiu o plenário foi o Plano de Carreira do Magistério (PLC 02/2026) — o projeto que trata da carreira dos professores da rede municipal, enviado pela Prefeitura. Como manda o rito, ela foi votada em dois turnos, e nas duas vezes o placar foi o mesmo: 7 a 1. Um vereador votou contra; os demais aprovaram. Fora essa matéria, deu acordo em tudo (o resultado de cada votação está nas atas).
Tem outro dado que chama atenção, e é uma ausência. Em 63 sessões, não apareceu um único pedido formal de informação à Prefeitura (tudo registrado, sessão por sessão). O pedido de informação é o instrumento mais forte que um vereador tem pra cobrar o Executivo — o "me manda esse contrato", o "me explica esse gasto". Em mais de um ano, esse instrumento ficou parado.
Aqui entra a nossa leitura — e é opinião do diretório, não fato de ata. Unanimidade não é ilegal, nem é sinal de nada errado por si só. O ponto é que ela pode significar duas coisas bem diferentes. Pode ser consenso de verdade: projeto discutido e afinado nas comissões antes de chegar ao plenário, chegando redondo à votação. Ou pode ser pouca disposição pra divergir em público — o debate que não acontece à vista do cidadão. Na nossa leitura, quando quase não há voto contrário e nenhum pedido de informação em 16 meses, essa segunda hipótese merece ser olhada de perto. Mas as duas leituras são legítimas, e o número sozinho não decide entre elas.
E é aí que entra você. Fiscalizar não é torcer contra a Câmara — é acompanhar. Toda votação está aberta no Fiscaliza Rio do Campo, pra qualquer um conferir. E qualquer cidadão pode fazer, por conta própria, o que o dado mostra que faltou: pedir informação, pela Lei de Acesso à Informação. Quando a cobrança não parte de dentro, ela pode partir de fora — de quem paga a conta.
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